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Começo no atletismo porque me inscrevi numa actividade física que a Câmara Municipal de Rio Maior levou às escolas. A actividade era coordenada por um treinador de atletismo e todos os miúdos que demonstravam apetência para a prática eram cativados para a modalidade. As minhas primeiras provas foram no desporto popular, em provas abertas nas festas populares, e só dois anos depois, em pista, como atleta federada. O desporto popular é uma manifestação espontânea e liberta de preconceitos da vontade de praticar actividade física, muitas vezes livre de espírito competitivo e enquadrando todo o tipo de participantes. Permite a competição de alto nível e o desporto como prática salutar. Desde que por trás de cada praticante existam câmaras municipais, clubes, escolas, etc., que possam apoiar quem queira continuar a prática desportiva. É mais fácil dar continuidade a um talento desportivo que se possa revelar de alto nível, detectado numa prova de âmbito popular. No desporto popular, a finalidade é acima de tudo social, sendo mais fácil a interacção entre as pessoas, o convívio e a ligação sociocultural transversal entre etnias, classes, géneros, religiões, etc. O mesmo se passa numa aldeia olímpica, onde se juntam praticantes de várias nacionalidades e múltiplos desportos. O desporto, seja ele em que vertente, popular ou de rendimento, permite que todas as pessoas tenham o seu espaço de actividade, pois as modalidades são tão diversas que dão a cada um o seu conforto desejado, pode ir desde o xadrez ao halterofilismo, por exemplo. Já na década de 2000, participei no Grande Prémio de Marcha Atlética de Corroios e na abertura da Seixalíada com a Selecção Nacional de Marcha Atlética. Recordo o convívio entre atletas, acompanhantes e organizadores. No âmbito da 25.ª edição da Seixalíada participei no Fórum Desportivo. Julgo importante poder passar aos outros, em especial aos jovens, mas também a todos aqueles que os envolvem e encaminham, a experiência de uma atleta com cinco participações olímpicas, não só reafirmando a longevidade do meu percurso na alta competição, mas também outros aspectos necessários para estar tanto tempo envolvida na alta competição, como é a resistência, motivação, espírito de sacrifício, vontade de melhorar dia-a-dia, etc. Uma carreira marcada pelo título de Campeã do Mundo, com apenas 15 anos, e pela medalha de bronze no Campeonato do Mundo em Helsínquia, em 2005, um título sénior após momentos muito difíceis, em que cheguei a questionar a continuação da minha carreira como atleta. Chegar a uma medalha deste nível demonstra que nunca devemos desistir dos nossos sonhos. Susana Feitor |
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